segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Luo Pan Digital para iPad

  
As inovações tecnológicas estão muito presentes também no campo da cultura oriental. O uso de computadores para cálculos da astrologia chinesa e feng shui é bastante comum. Apareceram recentemente vários aplicativos de Feng Shui para iPhone, dos mais simples aos mais sofisticados. Para métodos de Feng Shui complexos como Estrelas Voadoras, isso quebra um galhão. Veja um exemplo acima.

Esses aplicativos aproveitam a capacidade de processamento do celular com a localização por GPS, o que dispensa a bússola magnética e confere boa precisão ao trabalho.

Agora lançaram um aplicativo para iPad que simula um luo Pan, a bússola do Feng Shui. Lembre-se que Feng Shui chinês de verdade utiliza sempre uma bússola. O software parece muito bem produzido e deve dar ainda mais conforto ao praticante. Veja fotos do aplicativo:



Para mais informações (em inglês), visite este site.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Por Que as Chinesas Não Contam Calorias

 

Já a algum tempo tinha a intenção de compartilhar com vocês uma obra que acho imperdível para todo amante da cultura chinesa, em especial da gastronomia: “Por Que as Chinesas Não Contam Calorias“.

Primeiramente gostaria que tirasse de sua ideia a tradução capciosa do título (o original é “why the chinese don’t count calories”), que se alia à capa em tons rosa e à moça estilizada para criar uma versão caça-níqueis desta obra magnífica. A intenção da editora com certeza era faturar uns trocados a mais encaixando o livro no nicho das dietas da moda ou coisa que o valha. Mas está muito longe dessa superficialidade.

Isso quase me enganou – a primeira vez que o vi na estante da livraria passei direto, acreditando tratar-se de outra balela sobre dieta direcionado a moças em pânico com a neurose moderna das temíveis “calorias”. Na segunda vez, apreciador de qualquer coisa que se refira à cultura chinesa, peguei o livro e o folheei. E meu queixo caiu.

Estava diante de uma explanação detalhada da gastronomia chinesa e mais ainda, da cultura alimentar da China desde tempos imemoriais. Apesar de utilizar diversos termos técnicos e cruzar referências com a Medicina Tradicional Chinesa, o livro é escrito em tom de conversa com o leitor, de modo cativante e embriagador. Difícil parar a leitura.

Pelas mãos hábeis da autora você passa a conhecer como pensam os chineses (de modo geral e não apenas “as chinesas”) sobre os assuntos alimentação e comida. Como escolhem e preparam suas refeições, os cuidados na mistura de elementos, na utilização de sabores e condimentos. Em resumo, como os chineses possuem uma dieta milenar saudável e nutritiva sem se preocuparem com calorias ou a composição química dos alimentos. Existem inclusive receitas à guisa de exemplos dos assuntos teóricos tratados no livro, bem como tabelas e diagramas explicativos.

Existem poucas coisas tão surpreendentes quanto ver um chinês comer - comem como se fossem ocos, mas a maioria é magra. Isso acontece porque a alimentação deles é realmente saudável, fruto da sabedoria de uma cultura multimilenar. A obesidade só está atingindo os chineses hoje devido à sua contaminação pela cultura ocidental e suas comidas processadas e fast-food. Esse é o real vilão da obesidade e não apenas as “calorias”.

Mas esse livro fala de alimentação chinesa legítima e não o que você encontra em um desses “McDonald’s” de Frango Xadrez (prato que não existe na China). Quando a autora morou lá a cultura fast-food ainda não havia chegado às terras chinesas. Isso nos proporciona uma visão privilegiada de uma cultura alimentar que está sendo seriamente abalada pelos interesses mercantilistas ocidentais e bobagens pseudocientíficas declamadas por profissionais de saúde sem princípios ou sem cultura.

Esta obra nos traz um retrato fiel da alimentação tradicional chinesa, excepcional tanto para os que se interessam por esta cultura quanto para os terapeutas especializados em Medicina Tradicional Chinesa, que terão uma boa fonte de informações sobre a relação entre a MTC e a alimentação. Fica aqui a dica.

 Extrato:
 “Os anos em que morei e comi na China, e tudo o que aprendi, me levaram a concluir que há uma diferença primordial de atitude na forma como as pessoas se alimentam naquele país e no Ocidente. Em vez de ver a comida como inimiga e focar no que não comer, o que muitas vezes priva o corpo de nutrientes, os chineses focam em tornar a comida saborosa e capaz de suprir as necessidades do corpo. Não ocorre aos chineses aproximarem-se da comida com medo, ou receando que seus prazeres favoritos lhes tragam quilos e centímetros indesejados. Os chineses comem mais calorias, mas não "calorias vazias", cheias de gorduras e açúcares e desprovidas de nutrientes, que constituem uma grande percentagem do consumo ocidental.”


Sobre a Autora: Lorraine Clissold morou dez anos na China com o marido e os quatro filhos, de 1995 a 2005. Neste período, aprendeu a falar e a ler mandarim, apresentou o Programa de Culinária Chinesa na Televisão Central chinesa, escreveu sobre comida, foi crítica de gastronomia e fundou a Escola de Culinária Chinesa nas hutongs (ruelas) da Pequim Velha. Agora radicada em North Yorkshire, Lorraine vive com a família e uma coleção de animais, gozando de uma vida ao ar livre e consumindo alimentos cultivados em sua propriedade. Passa longas temporadas nos Alpes franceses, mas volta a Pequim para comer a melhor comida do mundo.


Por Que as Chinesas Não Contam Calorias
Lorraine Clissold
  • Editora: Fontanar
  • ISBN: 9788573029253
  • Ano: 2008
  • Número de páginas: 264
  • Acabamento: Brochura
  

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O I Ching e as Previsões

 
A alguns dias coloquei um texto no blog que falava de previsões do I Ching para os jogos do Santos no Mundial Interclubes, realizado no Japão em dezembro. Elas foram feitas por um japonês idoso, profissional de previsões com I Ching em Yokohama. No primeiro jogo,  contra o Kashima Reysol, o consultor japonês deu como certa a vitória do Santos (o que de fato aconteceu sem qualquer problema para o time brasileiro). Quando foi verificar os augúrios para o jogo contra o Barcelona, o consultor ficou atrapalhado e teve que verificar suas anotações e consultar o livro. No final, deu parecer favorável ao Santos (o jogo, depois, se revelou um desastre para eles!).

Não quero justificar o erro, mas explicar o mecanismo da coisa. Este texto que escrevo foi motivado por um internauta que colocou o seguinte comentário no post, depois do jogo:

“Eu acho interessante essa arrogância de querer "adivinhar" algo que ainda não aconteceu. Isso sempre foi mentira e, como era de se esperar, fez-se mais uma vez.”

Com certeza o rapaz foi muito duro com o idoso consultor japonês, mas sua opinião é muito comum. Vê-se que deu grande importância à previsão errada e se esqueceu que ele acertou a primeira. Normalmente o cético age exatamente desta maneira: quando a previsão se mostra correta é “coincidência” e quando se mostra equivocada, é prova da “fraude”.

Mas o ser humano sempre desejou saber o que está por vir desde sua ascensão da condição de primata, e esse desejo se manifesta fortemente mesmo nos dias de hoje. Muitos ramos do conhecimento humano, incluindo a ciência, se preocupam em fazer previsões. E ninguém recrimina a ciência por isso.

A Economia faz previsões constantemente, tentando “adivinhar” o que acontecerá com os mercados financeiros. Depois de anos acompanhando essas previsões, prefiro confiar em um astrólogo. Ademais, todo economista faz previsões financeiras, mas a maioria não é rica, o que deveria ser o caso se acertassem com freqüência.

Outro bom exemplo é a meteorologia. Ontem fui até Aparecida, visitar o Santuário de Nossa Senhora. A previsão do tempo dizia “nublado com chuvas, temperatura máxima de 26ºC”. Me preparei, fui com capa e guarda-chuva e roupas mais pesadas. Na realidade fez 30ºC com sol de verão a pino e sem uma gota de chuva. Imagine se depois dessa previsão desastrosa eu dissesse: “Cara, isso sempre foi mentira e nunca mais vou ver a previsão do tempo de novo pois são todos charlatões”. Eu não estaria sendo justo, pois os métodos meteorológicos de previsão evoluem constantemente e mais tecnologia é desenvolvida para aperfeiçoar isso. No entanto eu me prendi a uma previsão que deu errado e não nas tantas que deram certo. E a meteorologia continua errando e as pessoas continuam seguindo suas recomendações. E ainda existem aqueles que criticam os que buscam orientação na astrologia, por exemplo!

A astrologia é muito, muito antiga. Parece ter começado na Babilônia 4.000 anos antes de Cristo. O certo é que os antigos eram muito eficientes em observações e cálculos astronômicos, como mostram as observações de cometas feitas pelos chineses da antiguidade, ainda hoje utilizados como referência por modernos astrônomos. Grandes monumentos megalíticos foram erigidos com espantosa precisão astronômica, uma precisão que assombra os especialistas de hoje.

Mas a astrologia é vista por “cientistas” e gente cética em geral como uma bobagem supersticiosa, talvez por não saberem exatamente do que se trata e acreditarem que são baseadas em “previsões do futuro” (que, como vimos, também são feitas pela ciência). As fases da lua possuem profunda e clara influência sobre a vida na Terra, demonstrada facilmente pela própria ciência. O comportamento animal, vegetal e humano é profundamente influenciado pela posição da lua em relação à Terra. Seria tolice não acreditar que alinhamentos astronômicos de planetas no sistema solar não pudesse desencadear alterações gravitacionais que tivessem também sua influência sobre nós. Estamos falando de física e não de alguma energia mística. Talvez os antigos tivessem meios de calcular como essas influências acontecem, da mesma forma como os psiquiatras sabem que a lua cheia provoca crises em pacientes com problemas mentais, mesmo que eles estejam em confinamento e nem saibam em que dia do mês estão. Ou os mateiros que sabem que as ervas medicinais devem ser colhidas na lua cheia, quando seus talos estão plenos de seiva, ou os lenhadores que sabem que a madeira cortada na lua nova é mais “seca” e aproveitável..

Com o I CHING é a mesma coisa. Sua complexidade dá nó em muita gente experiente. Um especialista me disse uma vez que quando a previsão falha é porque houve um erro do intérprete. Concordo, em parte, e isso deveria ser claro para todos. Quando a meteorologia erra uma previsão, isso pode se dar por erro na interpretação das mudanças atmosféricas. Ano passado o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) recebeu um novo supercomputador Cray, apelidado de “Tupã”, para gerar mapas meteorológicos com base nos dados recebidos de diversas estações. Esses mapas são interpretados por meteorologistas de carne e osso, que podem acertar ou não sua análise.

Pode acontecer também que a direção de uma corrente de ar ou o calor de uma corrente marítima não se comportem como esperado, devido a inúmeros fatores. O Universo está em constante movimento, em constante mutação – a raiz da sabedoria do I Ching. Isso nos leva a compreender que qualquer alteração na realidade que examinamos acarretará alterações em seu futuro e imprecisões na previsão. Da mesma forma, quando se faz uma previsão para o mundo humano, enxerga-se o cenário com maior probabilidade de acontecer. Mas qualquer alteração na condução da situação ou de seus integrantes pode alterar esse “futuro”. O I Ching e qualquer outro método oracular sempre apontará para situações com maior probabilidade de acontecer se os eventos atuais persistirem em seu curso. As previsões nunca são sobre o que efetivamente acontecerá, mas sobre o que poderá acontecer se nada for alterado. A regra é a mesma da meteorologia, da economia, da sociologia e qualquer ciência que tente antever os acontecimentos futuros. No caso citado sobre futebol, no jogo contra o Al-Sadd, do Qatar, o atacante do Barcelona, David Villa, sofreu uma fratura na perna esquerda e ficou de fora do jogo contra o Santos. Como isso alterou o quadro do jogo, nunca saberemos. Mas algo importante aconteceu entre a previsão e o fato. Lembre-se, o Universo está em constante mutação.

As previsões do I Ching podem ser equivocadas, certamente. Mas não vamos queimar ninguém na fogueira por isso, assim como não queimamos nossos meteorologistas.


* grafei “cientistas” com aspas porque cientistas de verdade possuem mente aberta e não se apegam a convicções pessoais ou conceitos e ideias pétreas e predefinidas.


quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Previsão do I Ching feita no Japão para a Campanha do Santos F.C.

     
O Jornal "Bom Dia Brasil", da Rede Globo, exibiu hoje de manhã uma matéria feita em Yokohama mostrando previsões do I Ching para a campanha do Santos no Mundial de Clubes. O Livro das Mutações deu parecer favorável ao tiome brasileiro nos dois jogos. O primeiro já se concretizou agora a pouco. Abaixo segue a transcrição da matéria. Se desejar assistir ao vídeo completo da matéria, clique aqui.

 

Palco da final do Mundial, Yokohama é a cidade mais chinesa do Japão

A cidade fica a 30 quilômetros de Tóquio e tem a segunda maior população do Japão: 3,5 milhões de habitantes. Além do cardápio exótico, também é conhecida por ser o lugar certo para se enxergar o futuro.



Em Yokohama, palco da final do Mundial de Clubes e da estreia do Barcelona, na quinta (15), na semifinal, contra o Al-Sadd, do Catar.

A beleza de Yokohama está em ser a mais chinesa cidade do Japão. Fica a 30 quilômetros de Tóquio, tem a segunda maior população do Japão: 3,5 milhões de habitantes. É também o lugar certo para a gente enxergar o futuro.

É a tradição chinesa. O que vem por aí pode ser lido nas mãos em qualquer esquina do bairro. Ou então usando uma das formas mais antigas de previsão da humanidade, o I-Ching. Não dá para perder essa oportunidade para já saber de antemão qual vai ser o resultado do jogo do Santos.

As previsões, às vezes, são nebulosas, mas neste caso o resultado foi bem claro. Esta é a previsão para o Santos: o dragão vai subir para o céu. A previsão para o Kashiwa Reysol é que “está na beira do abismo”. Portanto, o Santos vai ganhar.

Qual a previsão para o possível jogo Barcelona e Santos? Desta vez, parece mais difícil saber o que vai acontecer. É preciso consultar o livrinho, mas finalmente sai o resultado. No caso do Santos, “a carpa vai virar dragão”. Isso é bom – e olha que ele nem sabia que o símbolo do Santos é um peixe. Já para o Barcelona, não poderia ser pior: “a raposa vai cair no buraco”. Precisa dizer mais alguma coisa?
Com o futuro garantido, a torcida do Santos que vem apoiar o time poderá aproveitar outra atração de Yokohama: a cozinha chinesa, com suas delícias e surpresas. O dono do restaurante explica que a gente tem de comer com a mão, segurando nos dois ossinhos e puxando a carne com os dentes. É bem gostoso. Em pratos como o yakisoba, podem vir algumas surpresas, como escorpiões. Eles são bem fritos e depois colocados sobre a massa e os vegetais para dar aquele toquezinho exótico.

Com suas surpresas, Yokohama sempre recebe bem os brasileiros e, o que é ainda melhor, costuma dar muita sorte.

fonte: Rede Globo de Televisão

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Taoístas se reunem para falar de sustentabilidade





Estudiosos fazem encontro na China
Começou no domingo na China um forum internacional taoísta, que atraiu 500 estudiosos de 21 países e regiões do Monte Hengshan, um centro sagrado da religião na província de Hunan, na China central. Liu Yushan, chefe do Departamento de Propaganda do Comitê Central do Partido Comunista (CPC) chinês, anunciou a abertura do forum.

Du Qinglin, chefe do Departamento da Frente Unida de Trabalho do CPC, falou na cerimônia de abertura. Ele disse que a ênfase taoísta na coexistência harmônica entre pessoas e natureza tem relevância crescente no mundo contemporâneo. Como reconhecimento da crescente influência taoísta na China moderna, o encontro focou em como integrar sua filosofia com a realidade social e como partilhar a sabedoria da regilião e suas preocupações com o desenvolvimento sustentável, a busca da felicidade e a proteção do bem-estar. Os seminários terminaram em 25 d eoutubro.

Entre os palestrantes estão Bawa Jain, secretário-geral do Conselho Mundial de Líderes Religiosos; Martin Palmer, ativista ambiental britânico e diretor da Aliança de Religiões e Conservação, e Ren Farong, chefe da Associação Taoísta Chinesa.

Em uma entrevista no começo deste mês à União de Notícias Católicas Asiáticas, Palmer afirmou que a mensagem taoísta de “simplicidade, respeito à natureza, humildade e busca de um equilíbrio apropriado talvez seja mais importante que em qualquer momento da história chinesa”. Ele disse que considera o forum “um poderoso indicador de que a China está procurando proteger sua natureza e seu povo”.

Na China, cerca de 30 mil monges taoístas vivem em templos, outros 60 mil praticantes do taoismo Zhenyi estão espalhados pelo país, e cinco instituições importantes oferecem ensino sobra a religião. “Hoje, os locais de prática do taoísmo se encontram em um número crescente de países. Muitos institutos de pesquisa no mundo mostram interesse no taoísmo como modo de estudar a cultura oriental. Sua influência irá se espalhar no futuro”, afirmou Lin On, vice-presidente da Associação Taoísta Chinesa.

O taoismo, tradição filosófica e religiosa originada da China, busca estalebecer a harmonia entre os seres humanos e o o princípio do universo, chamado de Tao. O emblema do taoismo é o símbolo do tai chi, um círculo com uma linha em forma de S dividindo uma metade branca (yang) e outra negra (yang), relata o China Daily.

Foto: Timothy Valentine/Creative Commons

fonte: http://planetasustentavel.abril.com.br/blog/planeta-urgente/taoistas-se-reunem-para-falar-de-sustentabilidade/

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O Preço do Chá




Semana passada fui jantar com minha esposa no Neiwa Sushi, em Santo André (SP). É sempre um lugar excelente, com ótimo atendimento, sashimis cortados na espessura correta e salmão grelhado macio e gorduroso, como deve ser. È aí que está o ômega 3.

Como sempre, pedimos um bule de chá verde. Independente da temperatura do dia, sempre pedimos chá quente, coisa de oriental. A surpresa veio na hora da conta: R$ 7,00 por um bulinho de chá que mal deu dois copos. É difícil acreditar em um valor desses para meia colher rasa de sobremesa de erva seca e um pouco de água quente. Por R$ 7,00 pode-se comprar um pacote de 200g de chá que faz uns 40 litros da bebida, sem problemas. Se você ainda não atinou com o disparate da cobrança, pense na seguinte situação:

Você vai em um bar e pede um copo de água da torneira. O garçom lhe traz a bebida.
– Aqui está.
– Muito obrigado. O dia hoje está muito quente.
– Realmente. Sua conta, senhor: R$ 3,00.

Compreende? Você pagaria R$ 3,00 por um copo de água da torneira? È mais ou menos esse o problema. Um refrigerante em lata, com todos os seus processos industriais, impostos e o recipiente de alumínio, custava R$ 4,80 no mesmo restaurante.

O Neiwa não é uma exceção, infelizmente. O preço do chá quente tem disparado nos restaurantes japoneses. Mas isso não aconteceu da noite para o dia. O chá era, muitas vezes, servido como cortesia (ainda acontece em restaurantes chineses de verdade no bairro da Liberdade). Mas com o passar do tempo, as pessoas descobriram que ele tinha várias propriedades medicinais e o chá oriental caiu no gosto do público. Seu preço começou a aumentar nos restaurantes japoneses, pois virou “cult”. Agora é “chique” tomar chá e tudo o que é “chique” custa caro.

E, diga-se de passagem, a maioria do chá servido nos restaurantes japoneses mais populares é horrível. Coloca-se muita erva e o chá adquire uma coloração escura e um gosto ruim, muito amargo. O chá oriental deve ser amarelo claro, aromático e de paladar suavemente adstringente. Mas parece que a sutileza culinária da cozinha oriental não chegou às bebidas. Investe-se muito no sushiman e depois colocam qualquer um para fazer chá. O que se serve normalmente tem cor de gasolina, um gosto quase tão ruim e ainda custa muito mais caro que o combustível!

O chá do Neiwa estava no ponto certo, mas no valor errado. Os restaurantes poderiam fazer um preço mais justo, pelo menos no chá que é mais água que outra coisa e é “feito em casa”. Um bule deve custar menos de R$ 5,00, para ser honesto. Façam o mesmo preço de um refrigerante em lata, ora! Ainda vão ter um lucro imenso.