domingo, 27 de dezembro de 2009

Fu Lu Shou



Existem várias preciosidades dentro da cultura folclórica chinesa, e muitas delas acabaram sendo incorporadas ao Taoísmo popular.

É comum encontrarmos em lojas de decoração orientais um quadro com três “deuses” ou as estatuetas deles: Fu Lu Shou. Acredita-se que elas tragam prosperidade, sucesso e longevidade aos que as utilizam como decoração de escritórios, comércios ou residências.

Estas três figuras são representações das três estrelas do cinturão de Órion, popularmente conhecidos no Brasil como “As Três Marias”. Eles são Fu Xing, Lu Xing e Shou Xing (“xing” significa “estrela”).

Fu Xing
Na mitologia chinesa, o deus da felicidade, da sorte e das oportunidades. Acredita-se que tenha sido um personagem histórico do século VI chamado Yang Chang, que foi deificado em Daoxian, na província de Hunan, da qual era governador. Após sua morte, por ser muito bem quisto pela população, erigiu-se um templo em sua homenagem. Sua figura aparece muitas vezes nas portas, para trazer a felicidade e a sorte. Apresenta-se em geral com um chapéu de abas largas e portando um pergaminho enrolado. Muitas vezes aparece carregando uma ou mais crianças, símbolo de felicidade na China Antiga.

Lu Xing
Conhecido como o deus da prosperidade, que traz a felicidade na forma de aumentos salariais ou promoções. O personagem histórico ligado a ele é um estudioso do século II a.C. chamado Shi Fen. Ele era um alto funcionário imperial e predileto do próprio imperador, o que colocou sua família em um alto nível social e financeiro. Aparece geralmente vestido com trajes nobres e pode carregar um lingote de ouro.

Shou Xing
Também chamado de Nanji Laoren (“Velho Homem do Polo Sul”). Muito reverenciado como o deus da longevidade. Em geral carrega um pêssego, pois a palavra “pêssego” em chinês tem o mesmo som de “longevidade” – “shou”. É retratado muitas vezes acompanhado de uma garça ou tartaruga, símbolos de longevidade. Traz um cajado feito de madeira de pessegueiro (o fruto da imortalidade) e uma cabaça, que está cheia com o elixir da imortalidade. Muitas vezes é denominado como “Shou Xi”, onde “xi” significa “felicidade” e passa a representar a “longevidade feliz”. É o símbolo de nosso site principal, Longevidade.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Enquete sobre o Ato Médico


Está sendo realizada pela Agência Senado uma enquete a respeito do PL 268-02, conhecido como a lei do Ato Médico. Essa lei nefasta coloca TODO o controle da saúde nas mãos de médicos. Apenas eles poderão indicar qual o profissional com que você deve se tratar e o tipo de tratamento. Veja bem, esse controle será feito por médicos, aqueles profissionais que não acreditam em Florais de Bach nem em Reiki, que muitas vezes rejeitam Acupuntura e que não distinguem Shiatsu de Tui-Na. Esse controle vai incluir TUDO: Fisioterapia, Psicologia, Educação Física, Nutrição, etc.. Não permita um disparate destes, que irá minar a precária saúde de nossa população.

 A pergunta é a seguinte: Você é a favor ou contra a regulamentação do exercício da medicina nos termos do PLS 268-02?

Este projeto foi aprovado em outubro na Câmara dos Deputados e agora está sendo analisado no Senado Federal. Precisamos falar alto para que escutem e esta enquete pode ser bem favorável.

A enquete estará no ar até o final de dezembro, e este é o momento de todos se manifestarem. Neste momento a votação está assim: a favor 52,04%   /   contra 47,96%

Dê o seu voto contrário ao projeto e não deixe de divulgar a enquete para todos os seus conhecidos.
O endereço é:

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Cozinha Japonesa: Fugu



Você já pensou em comer um prato venenoso? Pois o Fugu é um peixe venenoso muito apreciado na culinária japonesa.

Chamado em inglês de "Blow Fish", porque ele incha quando ameaçado, aparentando ter um tamanho muito maior, é conhecido no Brasil como "Baiacu", termo derivado do tupi-guarani. O Kanji (ideograma) "Fugu" significa "porco do rio", também chamado "Fuku" na região ocidental do Japão.

O Fugu possui órgãos venenosos que devem ser cuidadosamente extraídos pelo cozinheiro sob pena de matar seu apreciador. Este veneno, a Tetrodotoxina, é uma das duas toxinas mais letais existentes no mundo animal, sendo 10.000 vezes mais letal que o cianeto. Por isso sua comercialização foi proibida em vários países, como os EUA, com exceção de restaurantes japoneses credenciados. Em 2003 três japoneses morreram por consumirem o Fugu preparado em casa.

Muitos afirmam que o veneno presente na carne é o que confere ao Fugu um sabor muito especial. Existem no Japão escolas especializadas no preparo deste prato e geralmente o cozinheiro precisa ter um treinamento e uma autorização oficial para poder prepará-lo, pois cada tipo de Fugu tem o veneno num órgão diferente. Mesmo com todos estes cuidados, estima-se que cerca de 100 pessoas morram por ano intoxicadas pelo Fugu, embora esse número tenha um tendência a queda devido ao rígido controle governamental.

Apesar do risco calculado, o Fugu é considerado uma iguaria de primeira linha na culinária japonesa. Existem cerca de 40 espécies de Fugu no Japão, dos quais são consumidos 10.000 toneladas por ano. A cidade de Shimonoseki, na província de Yamaguchi, é conhecida como a "Terra do Fugu", sendo seu principal fornecedor.

Um prato de Fugu pode custar de US$ 100,00 a US$ 200,00 num bom restaurante japonês, especialmente a variedade "Tora-Fugu", a mais venenosa e considerada a mais saborosa.



Alguns pratos com Fugu:
Fugu-sashi  (fatias finíssimas de Fugu - foto acima)
Fugu-chiri (vegetais e Fugu imersos em uma sopa de konbu (alga))
Fugu Kara-age  (frito com farinha)
Fugu Hire-zake (grelhado e colocado em saquê quente.)


Curiosidade: O Fugu foi o segundo vertebrado a ter seu código de DNA totalmente decifrado, logo depois do Homem. Ele foi escolhido pelos cientistas por possuir um DNA muito compacto.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

O que significa "Lao-Tzu"?


Depois de tanta coisa escrita sobre o Taoísmo, parece desnecessário voltarmos à origem, ao significado do nome do fundador oficial de nossa escola filosófica. Mas ainda vamos ter que esclarecer um ponto muito importante.

Infelizmente vemos muita bobagem dita sobre nosso ilustre fundador, Lao-Tzu (também grafado  "Laozi"). A mais comum é traduzir seu nome como "velha criança", "jovem idoso" ou outro disparate do gênero. Isso acontece por causa de um engano comum: "LAO" significa "velho" ou "idoso" e "TZU" ou "ZI" significa "criança" ou "filho".

O que mais me deixa espantado é que, ao invés de compreender a falta de sentido desta afirmação, procura-se interpretar isso à luz da filosofia taoísta! O fato dos textos do Tao Te Ching serem muitas vezes incompreensíveis ou aparentemente ilógicos (para os não-iniciados, claro) contribui bastante para que qualquer coisa sem sentido seja interpretado como "alta filosofia" dentro do Taoísmo.

O engano aqui é muito claro. O ideograma "Tzu" (o de baixo, na ilustração) significa "criança" em chinês moderno, mas era utilizado como título de nobreza em eras passadas, similar a "visconde". Com o tempo esse termo passou a designar pessoas de grande valor, de grande mérito, superiores às pessoas comuns. Por isso o vemos repetidamente aparecer em Chuang-Tzu, Mo-Tzu, Huai Nan-Tzu, Kong Fu-Tzu (Confúcio). Apenas isso já bastaria para mostrar o erro de tradução, ou será que acharam que se tratava de um bando de crianças? (Tem gente que acha que são todos parentes por terem o mesmo "sobrenome"...)

Na verdade "Lao-Tzu" é um título, pois seu nome verdadeiro era Li Ehr. Poderíamos traduzí-lo mais corretamente por "Velho Mestre" ou "Venerável Ancião". Também podemos dizer "Mestre Lao", pois em chinês o título acabou sendo considerado um nome depois de mais de 2.000 anos de utilização. Uma curiosidade interessante sobre o ideograma "lao" é que ele representa uma pessoa cujos cabelos sofrem mudança ou seja, ficam brancos. Daí a conotação com "velho" ou "idoso".

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Pobre Feng Shui





Semana passada liberei para venda um pequeno lote de 10 exemplares de meu curso "Dominando o Feng Shui", que não era comercializado desde 2008. Um curso rico em cultura e filosofia oriental e que leva seus estudantes a um mergulho profundo em áreas muito pouco divulgadas no Brasil. Mas é muito difícil lidar com este assunto hoje em dia, como mostram algumas mensagens que eu recebo.

Quando se fala em Feng Shui grande parte das pessoas já diz logo "Ah, sei, eu já estudei isso". Mas na verdade o que ela estudou foi uma enganação criada na Califórnia chamada "Escola do Chapéu Preto". Nada a ver com metafísica chinesa, nada a ver com cultura chinesa. Coisa simples e rápida para os otários da América do Norte, que detestam pensar e querem tudo "fast". Essa tapeação foi muito difundida por revistas dedicadas ao universo feminino, ao lado das fofocas de novela e dos métodos de emagrecimento tipo "perca 5Kg em dois dias".

Bem, isso atrapalhou bastante o acesso das pessoas ao conhecimento real desta técnica. Quando vê estas palavras, "feng shui", grande parte dos interessados já descarta o assunto como algo conhecido. Mas o universo do Feng Shui é MUITO grande e pode-se, literalmente, estudar a vida inteira sem concluir os estudos. Aí entramos em outro problema: os que conhecem a diferença entre Feng Shui tradicional e o "outro" se assustam com o verdadeiro Feng Shui! Acham que terão que aprender chinês e passar anos estudando algo incompreensível e acabam se afastando disso. Reconhecem sua validade, mas acreditam que não seja para elas. Grande engano!

Feng Shui chinês é uma técnica de harmonização de ambientes muito eficiente e possui uma bagagem cultural apaixonante. Se ensinado de maneira apropriada, é fácil de aprender embora necessite de alguma dedicação, como qualquer estudo sério.

Lamentavelmente muitas portas se fecharam para o Feng Shui legítimo, estigmatizado por técnicas sem nexo inventadas por "consultores" que nunca abriram um exemplar do I Ching. Fica aqui um alerta para que você procure se informar sobre esta técnica chinesa e conhecer alguma coisa mais profunda. Se gosta de cultura oriental, o Feng Shui possui elementos ligados à culinária, medicina chinesa, artes marciais e astrologia. É uma escola na qual você irá vivenciar muito da filosofia taoísta em sua própria casa. Algo imperdível.

domingo, 8 de novembro de 2009

O Som do Silêncio


Hoje estava estudando um livro sobre aperfeiçoamento pessoal. Ao longo da leitura me dei conta do ruído do relógio de parede: tique-taque-tique-taque. Quando você escuta o barulhinho desse tipo de relógio você percebe que existe um grande silêncio ao seu redor. De fato, é frequente que não se ligue rádio nem tv em minha casa. Simplesmente desfrutamos de algum livro ou trabalhamos no computador, sem ruídos externos. Talvez você estranhe esse procedimento, pois nossa cultura atual procura encher nossas vidas de barulho. Em geral a primeira coisa que se faz ao chegar em casa é ligar o rádio, colocar um CD ou ligar a TV (mesmo que ninguém vá assistir diretamente a ela).

Nesse tipo de cultura barulhenta, ficar quieto parece coisa do outro mundo. Vários alunos já manifestaram sua surpresa quando mencionei isso em aula. Ficar sentado, lendo, sem nenhum aparelho ligado tocando música ou outra coisa, se tornou algo raro. Acredito que meu prazer pelo silêncio se deva em grande parte à minha dedicação à cultura oriental. Os orientais procuram no silêncio as respostas que não aparecem no barulho. Quando silenciamos os ouvidos, a mente começa a prestar atenção nos pensamentos. A introspecção é parte fundamental das práticas orientais, pois é mais fácil procurar a Verdade dentro de nós do que no mundo exterior. Se muitas pessoas se voltassem para dentro de si mesmas ao invés de procurar respostas fora, teriam vidas mais tranquilas e fáceis. Os cristãos buscam a Deus incessantemente no “céu” enquanto ele está calmamente dentro de nossos corações.

Quando eu digo “silêncio” não quero dizer uma ausência absoluta de sons. Sabemos que isso é quase impossível, especialmente me nossos dias. Os ruídos externos são naturais e tendem a desaparecerem quando deixamos de prestar atenção neles. Os barulhos que nós provocamos é que causam grande transtorno. Silêncio total é muito raro. Me lembro de algumas vezes, quando era pequeno e passava férias na fazenda de parentes, de ficar parado no campo já arado e pronto para o plantio, e meus ouvidos zumbiam de tanto silêncio. É interessante, mas quando existe um silêncio tremendo escutamos nosso próprio corpo. Foi uma experiência que me marcou muito essa ausência quase total de som. Uma plantação já crescida tem muitos barulhos, de folhas ao vento, por exemplo. Mas na terra nua, arada e ainda vazia, nada perturba o silêncio.

Quando ficamos em silêncio podemos contemplar nossa mente e compreender melhor nossos pensamentos. A importância disso deveria ser óbvia, pois somos o que pensamos. Procure diminuir o barulho ao seu redor e fique alguns minutos por dia, sentado no silêncio. Não precisa “meditar” propriamente dito, mas uma simples contemplação de seus pensamentos. Existem três níveis para se atingir a hiperconsciência, segundo a filosofia indiana: Dharánna, Dhyanna e Samádhi – sucessivamente contemplação, meditação e transcendência. Comece pelo começo. Será uma experiência bastante enriquecedora.

sábado, 7 de novembro de 2009

O I Ching como livro filosófico




O Livro das Mutações é bastante conhecido no Ocidente como uma forma de oráculo, apto a desvendar os segredos que se escondem no futuro dos seres humanos. Mas a coisa não se resume a isto. O I Ching, mais do que tudo, é um excepcional livro de sabedoria que marcou profundamente a civilização chinesa desde seu nascimento.


É uma pena que a idéia de ”ver o futuro” acabe por banalizar esta obra magistral. Vemos amiúde aparecer em bancas de jornais, revistas com versões pobres e distorcidas do I Ching como um meio fácil de saber o futuro.


Os fundamentos contido no I Ching serviram de inspiração a toda uma civilização de sábios, filósofos e sacerdotes. Suas características únicas fizeram com que esta obra, que possui mais de 3.500 anos, se tornasse atual mesmo em nossos dias. Mas qual o segredo por trás desta característica única do I Ching?


Basicamente, esta obra se alicerça no conceito de mutação, ou seja, da permanente mudança cíclica de eventos, sejam humanos, cósmicos ou siderais. Se pensarmos profundamente nisto, veremos que a própria essência do Universo é revelada nesta obra, pois tudo permanece em um constante e ininterrupto processo de destruição e criação. Isto nunca muda, por isto a espantosa atualidade da obra.


Claro que um texto escrito há tantos milhares de anos deve ter algum cuidado em sua interpretação, conforme explicamos. Mas para se obter o conteúdo filosófico do livro é necessário que se leia por entre as linhas do texto e se restabeleça a ligação com suas idéias centrais. Muitas vezes somos obrigados a recorrer à história para tentar compreender o significado de um determinado hexagrama em seu contexto original, mas a idéia e a lição por trás deste texto pode ser compreendida de maneira bastante geral, bastando apenas um firme propósito de desvendar seus segredos.


À partir do momento em que se encara o I Ching como mais do que um “tarô com moedas” (ou varetas), pode-se aprofundar em sua essência verdadeira e captar a sabedoria que está programada em seu núcleo central. Podemos fazer isto de diversas maneiras, mas basicamente por leitura completa ou pela leitura do texto de cada hexagrama.

Por "leitura completa" compreendemos ler esta obra do início ao fim, como se fosse um livro de filosofia, cada capítulo nos leva ao próximo, pois existe uma ligação entre um capítulo e seu anterior e posterior. Por exemplo, o capítulo "Paz" é precedido por "A Conduta" e sucedido por "Estagnação". Isso nos mostra que a conduta correta no Caminho leva à paz, mas que uma paz muito prolongada enfraquece nossos sentidos, levando à estagnação. Mas como se livrar da estagnação? O próximo capítulo é "União" - preciso dizer mais?


NOTA: Este texto é parte do Capítulo 9 do livro "I Ching - Manual do Usuário", de minha autoria, ainda sem editora definida.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Filosofia Oriental e Saúde




A Medicina Oriental se caracteriza pela forte influência de correntes filosóficas do pensamento oriental em seus conceitos básicos e procedimentos. Esta influência não se dá simplesmente por motivos religiosos, como rapidamente poderíamos afirmar, mas sim pela filosofia de vida deste povos. Sua atitude perante a Vida e o Universo nortearam o desenvolvimento de sua medicina.


Por este prisma podemos notar a causa da variedade imensa de escolas terapêuticas orientais, cada uma versando sobre fundamentos dentro de sua própria filosofia. A maioria das técnicas de Medicina Oriental que conhecemos aqui no Brasil foram criadas à partir da cultura chinesa, pois sua influência nos povos do Oriente sempre foi muito marcante. Apesar disto outros países moldaram esta filosofia segundo sua própria cultura, como ocorre no Japão. Os dois grandes pólos de cultura e medicina da Ásia foram a Índia e a China, com a Ayurveda, medicina indiana, e a Medicina Tradicional Chinesa (MTC).


Alguns princípios norteiam a Medicina Oriental praticada no Extremo Oriente. Via de regra estes conceitos foram formulados na China antiga, há muitos milênios, dentro do Taoísmo. O Taoísmo é uma filosofia nativa da China baseada na harmonia com o Universo e que busca compreender a estrutura das coisas, com princípios esboçados por sábios como Fu Xi, Chuang-Tzu e Lao-Tzu. Longe de ficarem desatualizados, muitas pesquisas modernas apenas comprovam o altíssimo grau de conhecimento que estes sábios da antigüidade possuíam. Vamos ver alguns destes fundamentos essenciais:


Equilíbrio

Muito se fala sobre equilíbrio, mas de onde saiu esta idéia? O ser humano está em permanente contato com as forças da Natureza e extrai sua vida deste intercâmbio de forças. Quando ele está em equilíbrio com o Universo, está saudável. As doenças aparecem quando este equilíbrio se desfaz, gerando energias conflitantes com sua natureza. A função do terapeuta é ajudar o paciente a manter ou retornar a este estado de equilíbrio, que definimos como “saúde”.

Energia

A base do Universo é energia (Chi para os chineses, Prana para os indianos, Ki para os japoneses e coreanos). É com base na manipulação desta energia de inúmeras formas que vamos restaurar o equilíbrio do paciente, pois este desequilíbrio também ocorre no nível energético. Ninguém aqui está lidando com a área dos médicos ocidentais, pois nosso enfoque é sempre energético, desde o diagnóstico até o tratamento. Vamos falar mais sobre isto em um capítulo especial sobre energia.

Holismo

Hoje em dia ficou comum falarmos de Holismo ou técnicas holísticas. “Holos” em grego significa “tudo” ou “o todo”, por isso usamos este termo ao nos referirmos aos tratamentos alternativos, em particular aos da Medicina Oriental, pois tratamos a pessoa como um ser completo, incluindo corpo, mente, emoções, conceitos, forma de pensar, energia, predisposições. Não existe um acupuntor especializado no pé, por exemplo, como existem médicos. Ou se resolve o problema globalmente ou ele nunca terá solução. Uma dor nas costas pode ser um problema emocional e uma enxaqueca pode se originar de uma decisão difícil na vida. Se não houver uma análise e tratamento da pessoa completa o problema pode não ser resolvido ou ser remediado por algum tempo, voltando depois. Às vezes ainda pior.

O Terapeuta

Cada terapeuta é um agente do Universo que serve como intermediário entre as forças da Natureza e a pessoa. Como o paciente está desequilibrado, necessita de uma ajuda externa para retornar ao equilíbrio, que é ministrada pelo terapeuta. Como vimos, o próprio paciente fará a sua cura, mas o terapeuta é importante para orientar e auxiliar este processo. Ele é apenas um coadjuvante que fará a religação entre paciente e Universo.

Yin/Yang

A polaridade complementar já confundiu muita gente. Ficaria difícil explicar este conceito neste pequeno espaço, mas podemos resumir algumas idéias. Tudo em nosso Universo manifestado possui um componente de forças dual formado pelo Yin e o Yang. O Yin corresponde a forças contrativas e o Yang a forças expansivas. Um não existe sem o outro e um gera o outro. São opostos complementares dos quais tudo que existe é formado. Nada existe que seja apenas Yin ou apenas Yang, mas sempre uma composição dos dois. Note que o conceito do Yin/Yang pode variar segundo fontes diversas. A Macrobiótica, por exemplo, utiliza uma noção de Yin/Yang muito diferente da Medicina Chinesa. Procure fontes na cultura chinesa e terá informações mais confiáveis.

Cinco Elementos

Os 5 elementos são um dos aspectos mais interessantes da filosofia chinesa, complexos porém simples numa ambigüidade típica da cultura da China. Na verdade trata-se de cinco estados energéticos que permanecem em constante mutação, sempre se transformando, daí serem chamados de Wu Xing, corretamente traduzido como “cinco ações” ou “cinco movimentos”. Um gera o outro e um controla o outro em um ciclo sem fim. Os elementos são: terra, madeira, água, fogo e metal. A eles correspondem cores, estações do ano, sabores e órgãos energéticos do corpo humano como mostra a tabela abaixo.


TERRA
METAL
ÁGUA
MADEIRA
FOGO
COR
Amarelo
Branco
Preto
Verde
Vermelho
SABOR
Doce
Picante
Salgado
Ácido
Amargo
ÓRGÃO
Baço-Pâncreas
Pulmão
Rins
Fígado
Coração
VÍSCERA
Estômago
Intestino Grosso
Bexiga
Vesícula Biliar
Intestino Delgado
ESTAÇÃO DO ANO
5ª Estação
Outono
Inverno
Primavera
Verão

A interação entre estes elementos promoverá a saúde ou o desequilíbrio. As técnicas da Medicina Oriental utilizam os 5 elementos como fator importante na manutenção da saúde ou no restabelecimento do paciente.

*** Este texto é parte do livro "26 Dicas de Saúde da Medicina Oriental". Faça o download desta obra totalmente grátis, clicando aqui.



Problemas de conexão

Desculpem a demora na atualização do blog, mas estou com sérios problemas para me conectar à rede. De qualquer modo, continuarei com as postagens.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Acupuntura Auricular


É uma modalidade de terapia oriental que visa tratar os distúrbios e desequilíbrios de Chi (Ki), ou energia vital, em nosso corpo através da ativação de determinados pontos e áreas na região das orelhas. Estes desequilíbrios causam problemas físicos e emocionais, levando as pessoas a desenvolverem doenças.

Através de agulhas colocadas na orelha, atingem-se pontos reflexos de cada órgão e função, restabelecendo o equilíbrio energético, da mesma forma que a Acupuntura Sistêmica, de origem chinesa.

Esta terapia pode ser feita também com esferas ou sementes, quando é conhecida por Auriculoterapia ou Terapia Auricular.

Esta terapia foi reconhecida como válida pela OMS - Organização Mundial da Saúde em 1989

É eficaz no combate ao alcoolismo, tabagismo, rinites, asma e outros distúrbios respiratórios, torções e contrações musculares, problemas digestivos, circulatórios, urinários e para moderação do apetite e emagrecimento, entre muitos outros. O alívio que se consegue com esta terapia é muitas vezes imediato.

Utilizado pelos gregos e egípcios, a terapia auricular teve grande impulso com as pesquisas do médico francês Dr. Paul Nogier, que publicou um trabalho a respeito em 1957. Hoje as duas escolas principais desta técnica são a do Dr. Nogier, que busca reflexos nervosos, e a Chinesa, que utiliza os princípios da Medicina Chinesa.

Na terapia auricular, cada área da orelha corresponde a um determinado órgão ou função, de forma reflexa, de modo que um estímulo nesta região promova um estímulo no órgão correspondente e a conseqüente resposta energética. Com isso pode-se efetuar diagnósticos energéticos com grande precisão e fazer tratamentos completos.

A terapia auricular pode ser utilizada juntamente com o tratamento médico convencional, bem como fisioterapia. Ele não apenas não interfere, como na maioria das vezes auxilia estes tratamentos. E não possui efeitos colaterais.
 

domingo, 6 de setembro de 2009

Chuang-Tsé – O Irreverente


O Taoísmo é uma das filosofias que mais marcaram o pensamento chinês em todos os tempos. Mas quando se fala sobre essa filosofia, normalmente pensamos em Lao-Tsé e sua obra, o Tao Te Ching, ou então no I Ching, a obra clássica do taoísmo. Poucos se lembram desta figura irreverente e extrovertida, que com seu humor levou a filosofia do Tao à imperadores e intelectuais: Chuang-Tsé.

O Homem e a Obra
Pouco se sabe sobre a vida deste grande sábio. As únicas referências históricas são as notas do grande historiador chinês Ssu-ma Ch’ien (séc.I a.C.) em sua obra Shih Chi (Registros do Historiador). Segundo nos chega do distante passado chinês, Chuang-Tsé nasceu com o nome de Chuang Chou, em Meng, e viveu por volta do século IV a.C.tendo sido funcionário público por algum tempo.

Os escritos atribuídos a ele somam 33 capítulos, dos quais apenas os 7 primeiros podem ser endossados com relativa segurança, segundo consenso geral entre os estudiosos. Os demais parecem ter sido acrescentados ao corpo da obra principal séculos depois, embora possuam em muitas passagens os mesmos traços característicos do grande sábio.

Sua escrita se revela em traços cômicos e críticas irônicas, às vezes cruéis, de seus opositores, particularmente os confucionistas. Apegados aos rituais e às regras de moral de Confúcio, eles batiam de frente com a liberdade e a não-ação (Wu Wei) pregadas pelo taoísmo defendido por Chuang-Tsé. Suas histórias, às vezes verdadeiras piadas, são parte muito querida e apreciada da literatura chinesa, principalmente por intelectuais, visto que muitas vezes sua obra se reveste de uma sutileza ímpar.
Mas vamos dar a palavra ao sábio chinês e deixar que você mesmo julgue.

A Cauda da Tartaruga
Chuang-Tsé estava pescando certa tarde em um lago. Eis que chegam dois altos dignatários do Imperador e se dirigem a ele, cheios de formalidade:
- Grandíssimo senhor, sois Mestre Chuang?
Chuang-Tsé olhou desconfiado para eles e respondeu simplesmente:
- Sou Chuang.
- Ah, finalmente o encontramos. O Imperador solicita ao senhor que aceite ser seu Ministro de Estado, com todas as honras e privilégios do cargo, devido à sua grande sabedoria.
Chiang-Tsé pensou um momento e respondeu:
- Num santuário imperial existe a carapaça de uma tartaruga sagrada que viveu mil anos. Ela está no altar principal e é reverenciada e admirada por todos. Mas diga-me: essa tartaruga preferia ter sua carapaça honrada e admirada ou preferia arrastar sua cauda na lama?
- Ora, ela com certeza iria preferir arrastar sua cauda na lama!
- Muito bem, ide então. Vou continuar arrastando minha cauda na lama – disse ele, voltando à sua pescaria.

O Sonho
Chuang-Tsé estava muito preocupado, sentado em uma pedra. Um amigo seu perguntou qual o problema.
- Esta noite sonhei que era uma borboleta. Batia minhas asas e voava de flor em flor, feliz e contente. Era uma sensação muito vívida e a liberdade, maravilhosa. Repentinamente acordei de meu sonho e voltei a ser Chuang.
- Ora, e o que tem isso de extraordinário? Todos, às vezes, sonhamos dessa forma.
- Sim, mas quem sou eu? Serei Chuang que sonhou ser uma borboleta ou serei uma borboleta que está sonhando ser Chuang neste momento?

A Resposta de Lao-Tsé
Um homem chamado Nanjung Chu procurou Lao-Tsé na esperança de encontrar respostas às suas preocupações. Ao se aproximar, Lao-Tsé falou:
- Por que me procurou com toda essa multidão de gente?
Ele se virou para trás para ver que multidão havia mas nada viu.

[Essa história é muito interessante por ser a ancestral do conto Zen da xícara vazia, que todo mundo conhece. A multidão a que se refere Lao-Tsé é o conjunto de conceitos, velhas idéias, certo e errado, vida e morte, preconceitos e outros que carregamos aonde vamos. Ao buscar novas idéias, devemos nos afastar desta “multidão” que nos segue aonde quer que vamos.]

O Vinho e o Tao
Lao-Tsé estava sentado em uma taberna, saboreando seu vinho quando passou Confúcio e o viu pela janela. Entrando cautelosamente, procurou o sábio e o repreendeu:
- Você prega a sabedoria do Tao e está aqui tomando o vinho da embriaguez? Não tem vergonha? O que dirão as pessoas ao verem você aqui?
Lao-Tsé olhou para ele e encheu o copo.
- Onde mora o Tao?
Confúcio nem piscou.
- Ora, o Tao está em todo lugar.
- Então o Tao está nesta mesa, neste banco, neste copo e neste vinho, não? Então não existe problema nenhum: estou me embriagando de Tao.
Confúcio não respondeu e saiu. Chegando junto a seus discípulos, estes lhe perguntaram por que estava tão transtornado e ele lhes respondeu:
- Hoje vi um dragão.

[Quer dizer, uma pessoa de grande sabedoria. Esta história ilustra a maneira como Chuang-Tsé falava dos confucionistas e como a liberdade taoísta se chocava com as regras morais do confucionismo]

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A escrita chinesa

Mostra leva o visitante a uma viagem da pré-história à era da informática.

Os caracteres singulares, inscritos de modo inconfundível, têm sido usados há milhares de anos em todo o mundo para significar ideias e coisas. A escrita chinesa é uma das mais antigas conhecidas e a única língua arcaica ainda viva. Constitui um fator de coesão da nacionalidade e um traço de ligação entre a China e outras nações.

O Instituto Confúcio na Unesp, em parceria com a Embaixada da República Popular da China, apresenta a exposição A escrita chinesa – das inscrições oraculares aos dígitos binários, de 27 de agosto a 10 de setembro, no Instituto das Artes da Unesp. A mostra é uma oportunidade para conhecer esse importante legado para a história da humanidade e descobrir curiosidades sobre uma cultura milenar.

Ao todo, são 84 painéis explicativos que levam o visitante a uma viagem da pré-história à era da informática, além de 17 peças originais, entre ossos, cerâmicas e vasos, de diversos períodos. A exposição ainda promoverá outras atividades ao longo de suas duas semanas, como mostras de filmes chineses, oficinas de caligrafia e visitas monitoradas.

A escrita chinesa – das inscrições oraculares aos dígitos binários. Quando: 27 de agosto a 10 de setembro de 2009. De segunda a sexta, das 9 às 18h; sábado, das 9h às 13h. Onde: Instituto de Artes da Unesp - Rua Dr. Bento Teobaldo Ferraz, 271 (em frente ao Terminal Rodoviário Barra Funda). Quanto: Entrada gratuita. Contato: info@institutoconfucio.unesp.br ou 3107-2943.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Primeira edição da revista digital BUDÔ


Já está disponível para download o primeiro número da nossa revista de artes marciais, Budô
A Revista BUDÔ é um projeto muito antigo, com quase dez anos. Problemas diversos, crises internacionais, mudanças de governo e outros fatores seguraram seu lançamento até agora. Você terá em suas mãos uma publicação profissional da mais alta qualidade. A BUDÔ é uma publicação feita com o mesmo cuidado e o mesmo profissionalismo que uma publicação em papel, por profissionais experientes do meio editorial.
1- Profissionalismo em reportagens, artigos e diagramação
2- Periodicidade mensal e distribuição totalmente GRATUITA
3- Matérias sobre artes marciais orientais tradicionais
4- Divulgação da cultura e da filosofia oriental
5- Respeito às tradições marciais e ao espírito marcial
Nas páginas de BUDÔ você vai encontrar entrevistas com grandes Mestres, técnicas passo-a-passo, filosofia oriental, costumes, artigos sobre a cultura do Oriente, biografias, história, cinema, contos zen e taoístas e tudo o que você sempre quis saber sobre artes marciais tradicionais e não tinha onde encontrar. Fique à vontade para ler e distribuir para seus amigos. E também para nos escrever, mandando sugestões, críticas e observações sobre nossa revista e o universo marcial em geral. As cartas mais interessantes serão publicadas à partir do próximo número. 
Nesta Edição:
Glossário Básico de Aikidô
GODUP - A Arte da Mentira
A Filosofia Oriental dos Cavaleiros Jedi
Templo JOGAN-JI FUDO MIYÔ
Entrevista com o Mestre Tony Garcia
 
Seções
NEWS: Mudança de regras do Judô
CINEMA: Acidentes de Jackie Chan - Ip Man, O Filme
ARMAS: Tonfa
CONTO: O Samurai e o Mestre Zen
CURIOSIDADES
PENSAMENTOS
CULTURA
    

Problemas com a acupuntura

Às vezes fazemos a coisa certa na hora errada...

Culinária coreana - Kimchi


A culinária coreana ainda é muito pouco conhecida e apreciada em nosso país. Pena. Existem pratos maravilhosos como o Bulgogui, um churrasco feito na hora, na mesa do cliente, com um molho adocicado divino. O que se pode estranhar um pouco é a quantidade de pimenta que eles utilizam - até nas verduras e legumes. A primeira vez que eu comi comida coreana quase tive um troço. Achei que o molhinho vermelho que cobria as verduras e carnes empanadas era molho de tomate... Custou caro a ingenuidade mas aprendi uma lição valiosa: nunca peça refrigerantes ou água com gás, pois o gás reage com a pimenta e piora a situação.

Um tipo de alimento bem característico e fundamental da cozinha coreana é o Kimchi. Trata-se de verduras colocadas em conserva de sal, pimenta e condimentos., apreciada desde os tempos tribais na Coréia. Conservar alimentos sempre foi um desafio necessário em todas as civilizações e os coreanos desenvolveram vários tipos de conservas. Existem vários tipos de Kimchi, mas o mais comum é rechear folhas de acelga chinesa salgadas com uma pasta feita de pimentas vermelhas e outros ingredientes amassados. As receitas variam muito, de familia para família e de região para região da Coréia, embora a idéia básica seja a mesma.
O Kimchi é um dos alimentos tradicionais básicos da dieta coreana e é muito rico em vitamina C, sais minerais e fibras. Seu sabor forte vai muito bem acompanhado de arroz branco (claro, os orientais não comem arroz integral. Ou você não sabia disso?). A pimenta vermelha é excelente para a saúde, rica em vitamina C e que promove uma limpeza do sistema respiratório. É particularmente importante em latitudes frias como no Norte da Coréia.
Um pouco de pimenta é sempre muito bom e não mata ninguém. Você devia experimentar.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Sejamos razoáveis!



Ao longo de mais de três décadas dedicadas à divulgação da cultura oriental, seu estudo e prática, me deparei com várias pessoas que não podiam compreender nem o menor fragmento do pensamento oriental. Existem diferenças entre o modo de pensar oriental e o ocidental, coisa que muitas vezes foge ao nosso entendimento. Essas diferenças, por menores que sejam, podem comprometer nossa compreensão de conhecimentos importantes.
Lin Yutang, filósofo chinês contemporâneo, escreveu algo muito interessante sobre uma característica chinesa que só os que estudam sua cultura com mais profundidade percebem: o ato de ser razoável. Segundo ele, é uma das características mais marcantes do povo chinês.
De acordo com essa idéia, quando alguma informação chega até nós devemos pesar se ela é "razoável" para ser aceita. Se alguém me diz que pode comer 5 cachorros-quentes seguidos, aceito a afirmativa pois a considero "razoável". Não é algo que fosse extremamente fora do comum. Se, ao contrário, me afirma que pode comer 50, bem, aí preciso ser convencido. Esse método de pensar parece fácil, mas requer uma qualidade que está em declínio hoje em dia: o bom senso.
A mentalidade ocidental muitas vezes exige "provas" e "provas" de tudo o que afirmamos. Um pouco de bom senso, do que Yutang chamava de "ser razoável", poderia simplificar bastante nossa vida. Não sou um escritor acadêmico, mas apenas um divulgador de informações. Já fui muito criticado por não fornecer as intermináveis listas de referências bibliográficas em cada um de meus textos. Disseram que meus textos eram baseados apenas em minhas experiências. Ora, o que tem de mais nisso? Se a informação for útil a você, fique com ela e aproveite. Se não for, descarte-a. Se tem dúvidas, experimente-a você mesmo. Nenhuma referência remota pode sobrepujar a sua própria experiência direta. De qualquer modo, se alguma coisa lhe pareceu interessante ou equivocada, basta uma pesquisa rápida no Google para descobrir tudo sobre o assunto. Nem sempre se necessita de um referencial nesta era da internet.
Deveríamos manter essa idéia de bom senso em tudo o que fazemos. Muitas vezes não precisamos de que outra pessoa prove o que diz ou mostre que muitas outras pessoas concordam com ela. Apenas sinta seu interior e veja se parece razoável. Se for, aceite e use a informação com sabedoria. 
Um mundo mais razoável teria menos guerras e menos incompreensões simplesmente porque seríamos menos desconfiados. Ser razoável diminui o estresse e melhora a saúde e o bem-estar. Acha que estou exagerando? Pense bem sobre isso e veja se não é razoável.

sábado, 25 de julho de 2009

Apolo 11 e Levitação

Esta semana comemorou-se o 40º aniverário da chegada do Homem à lua pela missão Apolo 11. Em meio a tantas festividades apareceram as inevitáveis referências à chamada "mentira do século", cogitado por muitas pessoas. Para este grupo a viagem à lua foi uma encenação feita pelos americanos, bem mais simples e barata que uma missão real.

Todos tem direito a sua própria opinião, em primeiro lugar. Se alguém não quer acreditar nessa história, isso é com ele. Não que eu não tenha alguma simpatia com diversos fatos levantados por este grupo, que realmente me deixam curioso. Afinal, sou um pesquisador e como parapsicólogo, tenho meu grau de ceticismo.

Mas você deve estar se perguntado por que estou falando sobre isso em um blog de cultura oriental. Boa observação! Acontece que todos sabemos do escárnio e das bobagens que são ditas por "céticos" e seres "científicos" sobre coisas como Qi (Chi), acupuntura, aura, chakras e vários outros processos energéticos. A maioria é tratada como ilusão, alucinação, enganação, misticismo (em sua conotação pejorativa), truques, charlatanismo e outros termos menos louváveis.

Interessante que, quando a coisa acontece com eles, ficam todos escandalizados e revoltados! Ora, todos temos o direito de sermos céticos e não é porque algo seja tratado como "científico" que devemos nos curvar a isso. A ciência está longe de criar "verdades universais" (embora muitos ajam como se assim fosse).

Que provas científicas temos de que o Homem foi à lua? Vídeos, fotos, testemunhos e algumas pedras.

As pedras podem ser encontradas aqui na Terra, como meteoritos, ou poderiam ter sido trazidas por sondas automáticas. Não se precisa de gente para trazer pedras.

Vídeos e fotos todos sabemos que podem ser facilmente manipuláveis, especialmente os vídeos de péssima qualidade da missão Apolo 11. Você sabia que a NASA destruiu os vídeos originais, de alta qualidade? Pois é, um documento histórico sem preço apagado para poder gravar outra coisa em cima, para economizar uns trocados. Me lembro dos tempos do VHS, quando gravávamos um programa sobre outro para não ter que comprar uma nova (e cara) fita. Claro que não sou a NASA!

Sobre testemunhos, o Dr. Tony Phillips, cientista da NASA, afirmou no site oficial da agência espacial sua revolta pelo "absurdo" de duvidarem das missões lunares quando existem dezenas de depoimentos testemunhando o fato. Francamente, pessoas mentem o tempo todo (como diria o Dr. House). Depoimentos são provas tão aceitáveis como qualquer outra. Menos, se levarmos em conta que nossa percepção das coisas se apresenta muitas vezes distorcida.


Agora, pense por um momento em outra situação. Eu apareço com vídeos, fotos e testemunhos de um caso de levitação, como esse aí ao lado. Você acha seriamente que os cientistas e céticos de plantão vão acreditar? Será que eles não vão descartar tudo como "enganação" ou "falsificação"? É o que acontece geralmente...

Pois é, quando temos as mesmas provas sobre assuntos esotéricos, elas não valem nada! E ainda ficam indignados quando se utilizam exatamente os mesmo padrões céticos contra uma alegação "científica".

No Fantástico da semana passada, quadro "Detetive Virtual", descaracterizaram essas alegações sobre a falsidade da viagem à lua (claro!) afirmando que são "facilmente contestáveis". Se assim fosse isso não estaria de pé quatro décadas depois. Ou será que todos os descrentes sobre o programa espacial americano são retardados mentais? (os céticos acham isso de qualquer um que acredite em fenômenos paranormais, chi, anjos ou outra coisa do gênero). O astrônomo Ronaldo Mourão colocou que a maior prova são as pedras trazidas, pois nenhum especialista contestou que eram de fora da Terra. Claro que isso não prova como vieram parar aqui! Ainda apresentaram a "mãe de todas as provas": um painel deixado lá pelos astronautas e que reflete raios laser de volta à Terra. Só os astronautas poderiam ter levado o aparelho lá?

Como se vê, toda sorte de alegação infantil serve quando o pessoal "científico" e "cético" é questionado. Mas quando se trata de fenômenos extraordinários ou paranormais, seria necessário uma bateria infinita de testes em laboratório com rigores científicos que nenhuma pesquisa normal possui ou precisa. Para o "ceticismo moderno", dois pesos e duas medidas...

Achei que seria interessante mostrar para vocês como aparece o outro lado da moeda. Muitas técnicas orientais sofrem desse preconceito, sendo usados contra elas os mesmos argumentos que eles refutam desesperadamente quando o caso é contra algo pretensamente "científico".

Ciência significa manter uma mente aberta. Pensem sobre isso.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Você, Gripe Suína e Saúde – A Verdade

Hoje somos constantemente bombardeados com notícias alarmantes sobre a chamada "gripe suína" (ou "Gripe A", para preservar os pobres animais deste karma). Muitas vezes essas notícias nos chegam de modo bastante alarmista e sensacionalista, como se fosse a "peste do século", capaz de dizimar a humanidade. Não é bem assim.

Primeiramente a taxa de mortalidade está se mantendo abaixo da mortalidade da gripe comum – menos de 0,1% de óbitos para a gripe normal e 0,004% de mortalidade para a Gripe A. Para comparação, a Gripe Aviária, que apareceu na Ásia há algum tempo, possui mais de 60% de óbitos. O que impressiona os especialistas é que a Gripe A é um novo tipo de vírus, que contêm quatro elementos genéticos: duas partes de vírus suíno, uma parte de vírus aviário e uma parte de vírus humano. No momento ela é muito branda, mas se voltar futuramente pode estar bem mais forte, como ocorreu na Gripe Espanhola em 1918, que matou 50 milhões de pessoas em todo o mundo. O grande problema da Gripe A é sua capacidade de contágio muito alta, o que leva à grande propagação em pouco tempo.

Certo, colocamos as coisas em seus lugares e vimos que é necessário algum cuidado mas sem pânico. Agora vamos tratar do que NÃO se diz nas notícias.

Não se preocupe com a gripe, com a doença, mas com a SAÚDE. A Medicina Oriental procura manter a pessoa saudável e não curar doenças, simplesmente. A medicina ocidental foca quase totalmente na doença e a mídia gosta muito dessa parte. Se você se concentrar mentalmente em doença, é doença o que terá. Vamos ver o que podemos fazer para manter o nosso foco na saúde.

Defesas Energéticas

Para um agente contagioso chegar até nosso corpo ele tem que atravessar dois sistemas energéticos: a aura e a energia de defesa, chamado de Wei Qi pelos chineses. A aura é um campo bioelétrico externo formado por diversas frequências e que atinge por volta de 1,20m de diâmetro em pessoas saudáveis. Quanto mais forte energeticamente a pessoa, maior o diâmetro de sua aura. Uma pessoa com uma aura forte pode resistir melhor a ambientes infecciosos. Cansaço, estresse, alimentação deficiente e transtornos emocionais reduzem o poder da aura. Muitas pessoas que se dedicam a tratar enfermos, de forma caritativa, passam anos em contato com pessoas infectadas por vários tipos de doenças e não adoecem. Madre Tereza de Calcutá é um exemplo. Isso ocorre porque este tipo de atendimento eleva a espiritualidade da pessoa, é feito de coração, e sua aura se torna mais forte e robusta.

"O senhor não daria banho a um leproso nem por um milhão de dólares? Eu também não. Só por amor se pode dar banho a um leproso"
Madre Teresa de Calcutá

A energia de defesa, ou Wei Qi segundo a Medicina Chinesa, se localiza logo abaixo da pele e serve como barreira entre o corpo físico e elementos externos, atuando como nosso sistema defensivo, além de aquecer os músculos e regular a temperatura corporal. Quem controla o Wei Qi dentro da Medicina Chinesa é o Baço/Pâncreas, responsável pela retirada do Qi dos alimentos e cuja emoção correspondente é o pensamento constante, a preocupação. Por isso a preocupação excessiva e uma alimentação desregulada enfraquecem o Wei Qi, parte importante de nosso sistema imunológico.

Defesas Orgânicas

Você já deve ter ouvido falar um monte de coisas sobre o sistema imunológico orgânico. O que mais atrapalha a nossa defesa contra vírus é sua grande capacidade de mutação. O sistema imunológico trabalha como chaves em fechaduras: quando se combinam as "chaves" de nosso corpo com as "fechaduras" dos agressores, estes são vencidos. No caso dos vírus, suas "fechaduras" mudam constantemente, forçando nosso organismo a fabricar vários tipos de "chaves" para poder vencê-los. Isso causa um desgaste do organismo, que pode enfraquecê-lo ao ponto de impedir sua vitória final ou facilitar o alastramento de outros inimigos, que se aproveitam desse enfraquecimento. O resultado pode ser fatal.

Esse sistema de defesa orgânica está intimamente ligado ao nosso sistema energético, fazendo com que nossa capacidade de proteção esteja sujeita aos nossos estados emocionais. Tristeza, depressão, estresse, exaustão são estados que podem enfraquecer nosso sistema imunológico.

Essa relação entre as células e energia foi demonstrado experimentalmente ainda na década de 1920 por Georges Lakhovsky, um engenheiro russo radicado na França. Veja, estamos falando em estudos instrumentais, científicos, e não em "misticismo" como se coloca muito por aí. O trabalho extraordinário de Lakhovsky demonstrou que uma estimulação energética, no caso dele dentro de frequências eletromagnéticas, NAS CÉLULAS SAUDÁVEIS resolvia problemas de saúde, particularmente o câncer. Observe que, ao invés de atacar as células inimigas ele fortalecia as células sadias. O que ele "descobriu" é o que médicos chineses e indianos afirmam há milênios: devemos fortalecer o corpo e nos concentrarmos na saúde ao invés de nos concentrarmos em combater a doença.

Ao final dos experimentos de Lakhovsky com células vivas, pessoas e plantas, ele se aproximou da idéia de uma energia universal sutil ainda não detectada cientificamente mas de existência inquestionável. Conhecemos isso como Qi.

Mantendo a Saúde

Para se manter saudável a primeira providência é não se preocupar com doenças. Se você fizer sua parte não precisará pensar em perda de saúde. A preocupação com as doenças drenam seu sistema energético e abrem as portas do corpo para... doenças!

No caso da Gripe A, não existem grandes métodos de prevenção, sendo que o que os médicos mais recomendam é lavar bem as mãos ao chegar da rua. Ora, isso é higiene pessoal básica, não é? Pois é. Então não precisa se preocupar com muitos cuidados extra.

Procure firmar seu pensamento em saúde e acredite nisso. Faça todos os dias uma afirmação do tipo "Sou uma pessoa saudável e disposta. Minha energia é abundante e estou em sintonia com o Universo. Nada pode me afetar. Estou centrado(a) e emocionalmente equilibrado(a)". Repita isso algumas vezes, em várias ocasiões durante o dia.

Um tipo equivocado de mentalização seria "Sou forte e não vou ficar doente. Nenhuma doença pode me vencer". Nessa afirmação você usou "doente" e "doença" e é nessas palavras que nosso subconsciente vai se prender. Sempre que for montar alguma afirmação, use fatores positivos e nunca negações de problemas. Negar um problema sinaliza que ele existe!

Procure algum tipo de atividade que trabalhe corpo e energia, como Tai Chi Chuan, Qigong, Yoga. Isso amplia sua força orgânica em geral. Na verdade qualquer atividade física feita prazerosamente funciona muito bem. Tudo o que se torna uma obrigação deprime nosso sistema energético e emocional. Faça algo de que goste, seja Karatê, dança de salão ou ping-pong.

Muitos alimentos são excelentes para fortalecer o sistema imunológico e preservar nossa saúde. Fuja das neuroses alimentares modernas como a aversão a carne vermelha, gordura animal e a nefasta contagem de calorias. Procure se conhecer melhor e saber qual alimento faz bem e qual faz mal para você. Não é para o vizinho, o seu médico, o motorista do ônibus nem sua sogra. Para você.

Além de saber o que é bom para você, alguns alimentos possuem características melhores ou piores no que se refere ao sistema imunológico.

Evite todo tipo de aditivo alimentar como corantes e aromatizantes. Isso inclui a "saudável" margarina. Coma manteiga, que é natural e sem aditivos (não escute as bobagens que se falam sobre a nefasta "gordura animal"). Refrigerantes são pouco recomendáveis por serem em sua maioria artificiais e gasosos. Bebidas gasosas não devem ser consumidas durante as refeições. Pode utilizar sucos naturais, mesmo com açúcar, pois é mais saudável. Dentre os aditivos alimentares não recomendáveis se encontram as vitaminas sintéticas. Não se iluda com as "bolachas vitaminadas" e prefira verduras, legumes e frutas variadas. Estes, sim, são fontes saudáveis de vitaminas e sais minerais.

A vitamina A é importante e pode ser encontrada na cenoura, abóbora, fígado, brócolis, manteiga e na gordura de diversos peixes como salmão e sardinha. A vitamina C é antioxidante e aumenta a resistência às infecções. Não se limite aos cítricos como laranja, limão e acerola, mas procure caju, repolho, pimentão. Oligoelementos também são importantes, como o zinco e o selênio. Duas das melhores fontes de oligoelementos, que eu particularmente recomendo, são o fígado e a salsinha. Iogurtes e leites fermentados (pro-bióticos) ajudam a flora intestinal. O alho é fundamental por ser agente bactericida. É o melhor amigo do sistema imunológico e deve ser consumido de preferência cru. Se não conseguir, passe ele rapidamente em uma frigideira ou chapa sem óleo, para grelhar um pouco. Ele enfraquece seu aroma e fica menos ardido, mantendo seus benefícios. O gengibre também é excelente pois fortalece o sistema imunológico e é um tônico poderoso para o corpo todo, especialmente nas épocas mais frias como inverno e outono e que aumentam a nossa exposição aos vírus. Azeite de oliva é outro aliado de nosso organismo. Procure os azeites com acidez inferior a 1% e não se preocupe com as calorias. Pode consumir em saladas ou colocar um fiozinho dele sobre o prato feito. Ele melhora o sabor dos alimentos e é extremamente saudável.

As terapias alternativas como acupuntura, cristais, massagens, auriculoterapia, costumam ser preventivas e devem ser procuradas regularmente, mesmo que você não esteja sentindo nada. Quando notar um estresse aumentado, um cansaço físico persistente, procure um terapeuta. Não espere os danos aparecerem...

Tenha certeza de que, ao seguir as recomendações que demos neste artigo, você estará distante dos perigos da Gripe A e muitos outros problemas. Esqueça a doença e viva com saúde.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Nossa comunidade no ORKUT

Venha a nossa comunidade "Vida Oriental" no ORKUT para discutirmos cultura oriental.

http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?rl=cpp&cmm=92364617

Visite e divulgue para seus amigos!

terça-feira, 21 de julho de 2009

O Universo Interior

O homem ocidental normalmente separa as coisas existentes à sua volta de si mesmo. Isso é marcante no cristianismo, onde Deus é colocado à parte de sua criação, de fora dela. Essa idéia é totalmente contrária às crenças orientais, que apostam na unicidade entre o Homem e o Universo. Então veremos a importância do Universo Interior.

Macrocosmo e Microcosmo
Existe uma idéia em voga mesmo no Ocidente de que o Macrocosmo se espelha no Microcosmo. Isso significa que tudo o que pode ser visto no universo possui uma representação também no mundo microscópico. Por exemplo, os planetas girando ao redor do sol que se parecem com elétrons ao redor do núcleo atômico. Outra idéia é a das marés oceânicas, causadas pela lua. Esse corpo celeste possui uma influência sobre as pessoas que está mais do que comprovada (afinal, nós somos 90% água).
A importância de se estudar os dois lados do telescópio, por assim dizer, é muito clara, pois um pode complementar e explicar o outro. No entanto, aqui no Ocidente, enquanto o ser humano procura descobrir qual a forma geométrica do universo, a estrutura de funcionamento de sua própria mente é um assunto que lhe escapa completamente. Enquanto o Homem não se dedicar a conhecer melhor a si mesmo, não poderá compreender a totalidade do universo físico.

Dentro e Fora
A idéia oriental é de que o homem e o Universo são uma só coisa. Veja da seguinte forma: quando se enche um balão destes de festas de aniversário, o ar que tem dentro dele é o mesmo que existe fora. Assim é o ser humano, cujo interior é exatamente igual ao exterior. A morte advêm quando o balão se rompe, misturando o que existe dentro com o que existe fora. Isso é o que a morte representa para as filosofias do Oriente.

Partindo-se deste princípio, de que o que existe dentro também existe fora, podemos investigar o Universo todo à partir da investigação de nosso próprio interior. Esse é o cerne da maioria das correntes filosóficas orientais, que se preocupa sobremaneira com a descoberta do funcionamento do próprio ser humano. Ferramentas para obter controle total sobre a mente e o corpo foram desenvolvidas a níveis inexistentes no Ocidente. Pode-se afirmar que todo o tempo em que o Ocidente se dedicou a pesquisar o mundo físico à sua volta o Oriente se dedicou a descobrir os recônditos da mente humana e sua natureza, extrapolando esse conhecimento para o mundo ao seu redor.

O Universo Interior
A mente e, por que não dizer, a alma humana, é extremamente profunda e complexa. O estudo mais acurado necessário à sua compreensão e domínio demanda muitos e muitos anos de dedicado esforço, mas o resultado é muito compensador como demonstram as proezas de Mestres como Morihei Ueshiba, Yang Luchan, Ku Yu Chang, Sokaku Takeda, Matsumura, Pham Xuan Tong, Miyagi e outros.

Ao se aprofundar em seu próprio interior o ser humano passa a olhar o exterior de outra forma, de maneira mais benevolente, pois passa a enxergar tudo como extensões dele próprio. O conhecimento de seu próprio interior transmuta-se automaticamente num conhecimento maior de tudo o que existe no Universo. Essa busca interior pode responder as questões milenares que o Homem se faz de modo mais fácil do que se buscasse essas respostas fora.

A pessoa que mergulha em si mesmo atinge um estado de “centralização” que o auxilia a enfrentar os problemas do dia a dia, evitando muitos transtornos e “tratamentos”. Para atingir essa centralização a cultura oriental criou diversas ferramentas: meditação pura, no Raja Yôga e no Zen; respiração e chi kung no Taoísmo; mandalas no Budismo Tibetano; mantras e orações no Shintoísmo; estudo dos Sutras no Budismo; práticas ascéticas no Budismo Esotérico, etc…

sábado, 18 de julho de 2009

E a China inventou o macarrão


Muito se falou sobre a invenção do macarrão. Tida como criação chinesa, levada à europa por Marco Polo, passou-se a dizer que era uma contribuição dos árabes a sua invenção e disseminação pelo mundo. Agora esta dúvida chegou ao fim.

Foi publicado na prestigiada revista científica "Nature" um achado arqueológico impres- sionante na região de Lajia, noroeste da China: restos de massa com cerca de 4.000 anos de idade! O macarrão estava em uma tigela de barro, de cabeça para baixo, provavelmnete abandonada em alguma emeergência local como enchente ou terremoto. Os fios têm 0,3 mm de espessura e 50 cm de comprimento.

Examinando a massa, Houyuan Lu e seus colegas do Instituto de Geologia e Geofísica da Academia Chinesa de Ciências descobriram que ela foi feita com milho-miúdo (uma das primeiras plantas domesticadas pelos chineses), e não com trigo.


sexta-feira, 17 de julho de 2009

Um filme imperdível

Assisti esta semana ao filme "Ip Man", sob recomendação de amigos praticantes de kung fu. E realmente fiquei surpreso! Em geral os filmes que falam sobre origens de estilos de kung fu ou de grandes mestres são cheios de invencionices e material de baixa qualidade. Destaco apenas os filmes sobre Wong Fei Hung estrelados por Jet Li ("Era uma Vez na China", I e II) que são muito interessantes.

Houve um filme que pretensamente contava a história do estilo Wing Chun, o estilo do Mestre Yip Man, mas era um amontoado de bobagens. O filme "Tai Chi", com Jet Li, procura contar uma versão da origem do Tai Chi Chuan. Embora a versão apresentada seja furada, a história é excelente, carregada de filosofia taoísta e ótimas cenas de luta, e conta com Jet Li, na minha opinião o grande astro dos filmes de artes marciais da atualidade. Apenas como nota, a mediocridade nacional em traduzir títulos de filmes trouxe "Tai Chi" como "Batalha de Honra"...

"Ip Man" foi uma agradável surpresa. Boa fidelidade histórica, fotografia e montagem excepcionais, ambientação extraordinária (se passa na China da década de 1930) e cenas de luta de tirar o fôlego. Além disso o filme passa o cavalheirismo e a verdadeira honra das artes marciais, ao invés da guerra boba de egos que muitos lutadores de ringue de nossos dias chamam de "honra". O filme é uma aula de comportamento e honra dentro das artes marciais tradicionais.

As cenas de luta foram coreografadas por ninguém menos que Sammo Hung, colega de Jackie Chan que muitos conhecem pelo seriado americano "Martial Law". Ele é o diretor de ação em artes marciais mais competente que existe em nossos dias. O estilo apresentado é realmente o Wing Chun.

Ip Man (Yip Man, na transliteração oficial) foi um dos maiores mestres de Kung Fu do século XX, responsável pela grande difusão do estilo Ving Tsun (Wing Chun) pelo mundo. Sediado em Hong Kong, é sempre lembrado como o mestre do jovem Bruce Lee.

Como sempre este filme maravilhoso deve demorar para chegar em DVD (se vier...). Mas você pode encontrá-lo facilmente no "submundo" da internet... ;-)


quarta-feira, 15 de julho de 2009

"Lost" e o I Ching


Ontem estava assistindo a um episódio da série "Lost" e notei algo interessante. Todos sabem que o símbolo da "Iniciativa Dharma", que manteve bases secretas na ilha, é um Pa Kua (Ba Gua). Mais precisamente o Hou Tian Ba Gua (Ba Gua do Céu Posterior). Um “ba gua” é uma representação dos oito trigramas do I Ching dentro de determinada ordem. Existem duas ordenações principais: o Hou Tian Ba Gua (Ba Gua do Céu Posterior) e o Xian Tian Ba Gua (Ba Gua do Céu Anterior).

Esta opção dos produtores foi extremamente acertada, pois esse Ba Gua representa o nosso universo atual, que se mantêm em um estado de perpétua mutação. Quando fazemos um estudo de uma planta de edificação dentro do Feng Shui, é este o Ba Gua que utilizamos pois lidamos com algo existente, físico.

No episódio que assisti aparecia um submarino, que pertencia à Iniciativa Dharma. E não é que o submarino tinha como emblema o trigrama Kan, Água? Mais uma vez o criador da série, J.J. Abrahms, fez a lição de casa. Além de representar muito bem o veículo, ele optou pelo trigrama correto. Muitas vezes podemos associar o elemento água com o trigrama Tui, Lago, mas eles possuem propriedades diferentes. Lago é água parada, acumulada, muitas vezes traduzida mais como “pântano” que como “lago”, propriamente dito. Porém Água é um trigrama que exprime um abismo, uma grande profundidade de água em movimento, bem mais característica de um submarino.

Mais um detalhe: “dharma” é um termo indiano que significa “lei” e é utilizado por várias filosofias, especialmente o Budismo, para designar o conjunto de ensinamentos a serem seguidos ou ao conjunto de leis universais a que estamos sujeitos. Essa influência indiana-budista aparece também no cumprimento deles: “namastê”.

Seriados também são cultura...

terça-feira, 14 de julho de 2009

Lei da Atração e Karma

Esta semana estava ouvindo um programa de rádio que falava de temas espiritualistas. Não sei qual linha esse pessoal defendia, mas em determinado ponto a moça escarneceu do livro “O Segredo”, afirmando que ele havia sido escrito por pessoal bom de marketing e que não funcionava, não existia, e que se bastasse pensar para acontecer algo ela queria pensar que voava e sairia voando. Que isso não funcionava pois existem muitas limitações como o Karma, etc... Eu acho que a coisa não é bem por aí.

O que achei de mais interessante na Lei da Atração (“O Segredo” é o título do livro/filme) é que NÃO HÁ NOVIDADE NISSO. É uma velha verdade com nova roupagem. A Lei da Atração é ensinada no Oriente há milênios. Estudo ocultismo há mais de 30 anos e já vi esse conceito ser ensinado de dezenas de maneiras diferentes, embora o cerne dessa sabedoria seja sempre o mesmo: a atração de frequências similares. Resumidamente, se você pensa coisas boas, atrai coisas boas; se pensa coisas ruins, atrai coisas ruins. Simples assim.

O Budismo afirma que vivemos em um mundo ilusório, dominado por Maya (a grande ilusão). Essa ilusão é mantida por nossa mente, por isso a ênfase na contemplação e na meditação, que são formas de se transcender este estado ilusório e se conectar à realidade verdadeira. Este estado ilusório é mantido por um processo mental, portanto um processo mental pode alterá-lo. Esta é a idéia por trás da Lei da Atração.

Já “karma” é um conceito originário da Índia e que significa, literalmente, “ação”. Trata-se de uma reação natural a alguma coisa que você tenha feito. Não é um castigo divino nem uma provação qualquer, mas simplesmente uma reação. Costumo dizer em meus cursos que se você enfiar o dedo em uma tomada tomará um choque. Isso é um “castigo divino”? Não, é uma reação natural à sua atitude. Tudo o que fazemos, quer ajude alguém, quer prejudique alguém, gera uma reação igual e proporcional, como Newton já afirmava. Mas o Karma não está aí para que nos sujeitemos a ele, com algum tipo de fatalismo do tipo “não adianta, é meu Karma”. Alto lá, cara-pálida!

O Karma lhe traz determinadas condições, causados por uma reação a alguma atitude sua presente ou passada. Mas isso não é definitivo. Com perseverança e uma condição mental adequada você pode, sim, sobrepujar esta condição. É neste ponto que a Lei da Atração é importante, pois nos mostra que ao mudarmos nossa frequencia mental, nos colocamos em sintonia com outro tipo de situações. Isso pode nos ajudar a transcender um Karma negativo, por exemplo. O Karma é uma oportunidade de aprendizado e evolução e não uma condição conformista.

Ficar pensando que pode voar não vai fazer você bater asas por aí, mas foi o que impulsionou vários grandes homens como Santos Dumont...


"China" e "Acupuntura" em chinês


Dia desse me perguntaram sobre como seria escrito "acupuntura" em chinês. Isso aconteceu depois que eu expliquei como era "china", em chinês. Não sei se você conhece esta história, mas a palavra "China" vem da Dinastia Qin (Chin), que unificou a China em 221 a.C. e consolidou o império chinês. Nesta época havia intenso comércio pela Rota da Seda com nada mais nada menos que o Império Romano! Quando os ocidentais viam os mercadores de olhos puxados e costumes estranhos, perguntavam quem eles eram e a resposta era "somos os Chins" (denominação da dinastia da época). Isso pegou e foi latinizado pelos romanos como "sina". Até hoje usamos o prefixo "sino" para designar algo que vem da China, como "sino-brasileiro" (chinês-brasileiro).

"China", em chinês é Zhong Guo (pronuncia-se "djonguô"), que pode ser traduzido como "Império do Meio". Isso não significa que ele fica "no meio do mundo" e é o principal do mundo, como muitos dizem. Significa que ele se localiza entre o Céu e a Terra, no meio...


"Acupuntura" em chinês é Zhen Jiu (pronuncia-se "Djindjiu"), que é formado por dois ideogramas: um que simboliza um objeto de metal (agulha) e outro que simboliza algo quente (moxa). Assim, o que se denomina no Ocidente como "acupuntura", em chinês significa "agulha-moxa". Para os que não conhecem, moxabustão é a queima de alguma erva, normalmente artemísia, em um ponto de modo a gerar calor e ativar a circulação de Qi e Sangue no local. Por isso a federação mundial de acupuntura se chama World Federation of ACUPUNTURE-MOXIBUSTION Societies.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Aikidô e Hapkidô

É notória a semelhança entre diversas técnicas do Hapkidô e do Aikidô, apesar de serem estilos provenientes de duas nações diferentes: a Coréia e o Japão. Tal semelhança se deve a um Mestre ancestral em comum nas duas linhagens: Sokaku Takeda, do Daito-Ryu Aikijutsu. Tanto Yong Sool Choi quanto Morihei Ueshiba estudaram a fundo a ciência e a arte do Daito-Ryu com Mestre Takeda. Vamos ver em que circunstâncias se deu esse cruzamento de linhagens.

O Daito-Ryu e Mestre Takeda
A arte do Daito Ryu Aikijutsu é uma espécie de combate a mãos livres e com espada que foi criado por um príncipe chamado Teijun, o sexto filho do Imperador Seiwa (850-880dC). Yoshimitsu Minamoto (1056-1127 dC) é considerado como o moderno fundador do Daito Ryu. Diz-se que ele dissecava e estudava corpos retirados do campo de batalha ou de criminosos executados. Com isso as técnicas do Daito Ryu tiveram um notável incremento em sua eficiência, baseando-se na estrutura anatômica humana. Sua residência denominava-se "Mansão Daito", daí o nome do estilo.

Um dos maiores expoentes do Daito-Ryu foi o Mestre Tanomo Saigo, sacerdote do clã Aizu e que incorporou ao estilo os métodos de controle respiratório conhecidos como Aiki-Inyo. Seu filho, Shiro Saigo, abandonou a família e sua arte marcial para se juntar ao Mestre Jigoro Kano, fundador do Judô, ocasionando uma lacuna na genealogia. A solução empregada pelo Mestre Saigo foi nomear seu filho adotivo, Sokaku Takeda, o novo patriarca do Daito Ryu.

Sokaku Takeda nasceu em 1860 em Aizu, Japão, descendente de uma família de Samurais. Homem de pequena estatura e que sempre usava o Hakamá, Mestre Takeda era muito conhecido e temido em sua região. Participou de dezenas de combates mortais contra criminosos e mestres de outras artes marciais que o desafiavam. Antes considerada uma arte secreta, Mestre Takeda abriu as portas do ensino para todos, difundindo o Daito-Ryu por todo o Japão através de seminários em diversas localidades. Apesar de sua dedicação ao ensino, ele nunca montou um dojô oficial, preferindo a carreira de Mestre itinerante.

Daito-Ryu e Aikidô
Numa dessas peregrinações Mestre Takeda conheceu um jovem que se tornaria o seu mais conhecido aluno: Morihei Ueshiba, criador do Aikidô. Ueshiba seguiu Mestre Takeda por diversas localidades, participando de quantos seminários pudesse e convidando seu Mestre para temporadas em sua casa. Ele chegou a construir uma casa para Mestre Takeda perto da sua, para que pudesse se dedicar mais aos treinos. Tendo treinado por muitos anos sob sua supervisão, atingiu o grau de Instrutor Assistente na arte do Daito-Ryu. A influência desse estilo se fez sentir fortemente no Aikidô, como as técnicas Shiho-Nague e Kote-Gaeshi, que são do Daito-Ryu, além das próprias técnicas de Aiki.

Daito-Ryu e Hapkidô
Como fundador do Hapkidô, a história do Mestre Yong Sool Choi é de extremo interesse. Órfão na Coréia, Mestre Choi foi levado ao Japão por um casal de japoneses que moravam perto de sua casa. De gênio rebelde, foi abandonado por seus pais adotivos e acabou levado a um templo budista pela polícia. Ele permaneceu no templo por aproximadamente dois anos sob os cuidados do monge Wadanabi Kintaro, que levou o jovem Choi a conhecer o Grande Mestre Takeda, amigo pessoal do monge. Afirma-se que ele foi adotado pelo Mestre Takeda com o nome de Asao Yoshida. O jovem rebelde se tornou um aluno assíduo quando começou a treinar Daito-Ryu Aiki-Jutsu (pronunciado Dae-Dong-Ryu Hap-Ki-Sool, em coreano).

Embora não existam documentos comprobatórios, muitos pesquisadores afirmam que Mestre Choi ficou sob a tutela de Mestre Takeda por aproximadamente 30 anos, tendo participado das inúmeras viagens e seminários daquele Mestre. Com a morte de seu Mestre em 1943 e a derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial, em 1945, a situação tornou-se insustentável naquele país e Yoshida resolveu retornar à Coréia, voltando a ser Yong Sool Choi. Em 1947 começou a ensinar artes marciais a um jovem gerente de uma adega e foi instituído o primeiro dojô de Hapkidô, então conhecido como Yu Kwan Sool Hapki Dojang. Embora no começo Mestre Choi ensinasse apenas as técnicas do Daito-Ryu, com o passar do tempo acrescentou técnicas puramente coreanas como o Kwan Jul Ki Bub (torções em articulações, arremessos e agarres), Dang Shin Ki Bub (golpes de impacto, socos e chutes) e Moo Ki Sool (espada curta, espada longa, bastão curto e longo, lança, corda, arremesso de pedras e arremesso de facas). Manteve, porém, o espírito do Aiki aprendido no Japão.

Credita-se ao Mestre Ji Han Jae, aluno de Mestre Choi, a inclusão de diversos chutes de artes marciais coreanas ao Hapkidô, que era carente dessas técnicas, formando assim o Hapkidô moderno que conhecemos hoje.

Aikidô e Hapkidô
As semelhanças entre o Aikidô e o Hapkidô não são muito aparentes para um leigo, mas saltam aos olhos a um praticante mais experiente. Apesar do Aikidô colocar ênfase nas torções enquanto o Hapkidô utiliza muitos chutes, ambos partem de conceitos idênticos: esquivas circulares (não enfrentando a linha de ação do oponente), utilização do Ki em detrimento da força física e busca do domínio e controle do oponente. A movimentação básica dos pés tanto nas esquivas quanto nas posições de guarda são extremamente semelhantes, como muitas das torções utilizadas, que são comuns a ambos (como o Kote-Gaeshi). O princípio filosófico do Hapkidô demonstra clara empatia com o conceito de Aiki, ou seja, o de dominar o Ki de seu oponente para poder controlá-lo, entrando em sua esfera de influência.

Hapki, em coreano, é o mesmo que Aiki em japonês, sendo que Hapkidô era grafado com os mesmos ideogramas que o Aikidô. Por causa da confusão encontrada nessa grafia conjunta, os líderes do Hapkidô alteraram a grafia do nome para fonemas coreanos de modo a mostrar ser esta uma arte coreana, diferente do Aikidô, embora com ancestrais em comum. Tal resolução, pedida também pelos Mestres de Aikidô, só foi levada a efeito na década de 90.